O Limiar Ritual

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O ritual nos leva a cruzar por difíceis limiares de transformação. Transformações de mudanças de padrão, de vida consciente e inconsciente. Não apenas rituais complexos de uma bruxa, mas até, por exemplo, cerimônias de nascimento, aniversários e rituais de morte. Atualmente o sentido de muitas cerimônias foi esvaziado, muitas vezes realizadas sem consciência da sua verdadeira potência. Potência do coletivo, do símbolo, da comunidade e cultura. 


Inclusive em muitas religiões o sentido do ritual foi distorcido. Foram traduzidas a algo literal e não ao significado profundo. A exemplo “O corpo e sangue de Cristo”, e um dos seus simbolismos de purificação e unificação do espírito e da matéria. Dessa unificação nasce o equilíbrio que nos ajuda a passar pela vida de forma mais agradável. O espírito não é de “fantasma” ou outro plano, mas o sutil e elevado, as virtudes do ser humano, aquilo que fazemos de bom e de humano. A bondade, humildade, o amor incondicional. A matéria, o prazer, a beleza, os sentidos, a contemplação. 


Quando uma bruxa ritualiza, nós passamos por limiares que nem nós sabemos. Magos de alta magia dirão: “eu obtenho exatamente o que eu quero, quando eu quero, ao fazer magia e assim tem de ser!” - bom, e desde de quando ter o que a gente quer, é bom pra nós? A gente não sabe o que é bom pra gente. Essa parte aí é com os Deuses, com a Natureza. Quantas vezes você “teve o que queria” e isso te trouxe muito mal? É, em relação a natureza, aos deuses, somos apenas crianças passando pelas primeiras provas do ensino fundamental. Se reprovamos, a natureza nos testa novamente, um mesmo teste porém com outra roupagem, até que a gente consiga passar de ciclo. 


Nesses momentos eu concordo com Madame Blavatsky: o que podemos fazer é honrar a verdade com a prática e, além disso, fazer o que nos compete como seres humanos, dar o nosso melhor. Você está fazendo o que é certo quando dá o seu melhor - isso não é sobre produzir e performance capitalista “trabalhe enquanto eles dormem” - é sobre escolher o caminho que não pesa o seu coração (julgamento de Osíris) correspondente a consciência que você tem naquele momento (não se arrependa das decisões do passado se você não tinha a mentalidade que você tem hoje). Então a gente ritualiza pra ter fundamento, consciência, iluminação e presença para saber o que plantamos: por que a colheita vem. A colheita chega, não importa se você estava consciente, ou não, do que plantou.




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