Sacerdotisa da bruxaria, pratica magia há 13 anos e se identifica com a filosofia perene - ideia de que a verdade é uma só, mas foi disseminada em cada cultura, tempo e localização de forma diferente atendendo as necessidades daquele momento, ou seja, todas as fés são válidas e têm algo a nos ensinar. Estuda as mais diversas religiões e filosofias, acrescentando aquilo que faz sentido à sua vida espiritual. A Helê acredita que estudando e praticando, algum dia chegará ao caminho natural do ser humano: a sabedoria.
Cavalos e As Bruxas
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Há uma conexão entre os animais que são tão belos que quase são místicos, os cavalos e
a bruxaria. Acreditava-se que, durante a noite, as bruxas pegaram os cavalos emprestados
de seus vizinhos para passear. Ao amanhecer, esses animais apareciam com crinas
emaranhadas e pelos encharcados de suor, como se tivessem vivido uma aventura intensa.
A expressão inglesa “hag-ridden”(assombrado por pesadelos, ansiedades e relacionado à
paralisia do sono, sensação de um peso sobre o peito), que significa "montado por bruxa".
Aqui no Brasil, especialmente em Florianópolis, essa crença foi bastante viva. Franklin
Cascaes, um grande escritor local, falava sobre como as bruxas faziam nós terríveis nas
crinas dos cavalos, impossíveis de soltar. Ele descrevia como, ao amanhecer, os animais
pareciam exaustos, como se tivessem galopado pelos ares durante a noite (montados,
certamente, pelas bruxas).
Uma história de Florianópolis e As Bruxas é a de um homem que, ao acordar, sentia dores
no corpo e decidiu procurar um benzedor. O diagnóstico foi o seguinte: sua mulher era uma
bruxa que, à noite, transformava-o em cavalo e o usava como montaria para voos noturnos
“até cantar o galo” (sol nascer). De fato, nos bruxas fazemos voos noturnos quando
dormimos e em nossos rituais astrais - insira aqui alguma piada sobre “montar” em homens.
Na tradição ocidental, alguns amuletos eram usados para afastar bruxas, como uma pedra
furada. Este é um amuleto que me encanta muito e é mencionado em "Aradia: O Evangelho
das Bruxas". No entanto, conheci uma stregga que questionava a credibilidade do autor,
Charles Godfrey Leland, apesar de eu ter lindas experiências espirituais com o livro.
Outro símbolo interessante é a ferradura pendurada acima das portas, que se acreditava ter
o poder de proteger contra bruxas, para a bruxa não entrar em sua casa. Bom... eu
realmente estou evitando sair de casa, ainda mais ir para a casa alheia. Piadas a parte, em
Florianópolis as bruxas eram acusadas, inclusive, de chupar sangue de crianças as
deixando anêmicas, então a preocupação em existir uma bruxa fazendo parte da
comunidade secretamente, era muito séria - e óbvio, preconceituosa, afinal, as mulheres
fora da norma eram acusadas de tal feito. Bom, no fim, a conclusão que chegamos
atualmente é que o que realmente incomodava os cavalos à noite eram os morcegos.