Sacerdotisa da bruxaria, pratica magia há 13 anos e se identifica com a filosofia perene - ideia de que a verdade é uma só, mas foi disseminada em cada cultura, tempo e localização de forma diferente atendendo as necessidades daquele momento, ou seja, todas as fés são válidas e têm algo a nos ensinar. Estuda as mais diversas religiões e filosofias, acrescentando aquilo que faz sentido à sua vida espiritual. A Helê acredita que estudando e praticando, algum dia chegará ao caminho natural do ser humano: a sabedoria.
Jardim Simbólico
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O que de fato importa é o significado do símbolo para quem o está lendo. E assim matamos todos os oráculos, sonhos, visões, etc. Se sonho com uma cobra e um cristão sonha com uma cobra, são significados completamente diferentes. Para uma pessoa ordinária, a cobra teria um significado de falsidade: “aquela cobra!”. Para uma bruxa, sabedoria. Afinal, ela transita com sua barriga pela matéria, mas consegue subir ao cume das árvores - o céu, o mais próximo do divino. Ou talvez cura, por conta de sua peçonha. Se um cristão sonha com uma cobra que o morde, há alguém o traindo. Se a bruxa sonha, está sendo curada ou tornando-se sábia.
Compreender os símbolos é essencial para a bruxa. Cada indivíduo possui seu jardim simbólico pessoal, sua cosmologia, aquilo que faz sentido desde seu nascimento (cultura familiar, local, etc.) e aquilo que ressoa com ela de alguma forma (corta pra branquela aqui que curte simbologia egípcia). O contexto brasileiro é importante também. Somos brasileiros, mas não somos nativos, não somos o povo originário para apropriar-se da cultura indígena - porém, nos apropriamos do local, da mata, da natureza e de toda a amálgama feliz que nos faz ser como somos.
É essa simbologia que vai ressoar contigo, e você com ela. “Ah, por que X divindade apareceu para mim?” - pois é uma correspondência. Você precisava daquela energia e ela apareceu para você, como um… espelho da água. Um espelho da água não cria um reflexo perfeito, mas é correspondente. As energias usarão uma vestimenta para chegar até você, através do símbolo. Uma divindade, uma entidade, uma ideia… ela vai ter nome, corpo, cor… porque nós, humanos, precisamos dar forma para entender algo. Dar nome aos bois. Então, os evocamos através desses nomes.
Estava assistindo a uma aula de literatura e o professor disse: se triângulos tivessem deuses, esses deuses seriam triângulos. Genial. Quando comentei sobre isso, uma leitora respondeu: “Ah, quem sabe por isso as divindades da umbanda, para pessoas brancas, são retratadas como brancas.” Caramba! Às vezes, precisamos de entendimentos complicados para chegar à resposta simples, né, bruxas?